
Com teu verde-escuro e o vermelho escarlate,
a tua esfera armilar, os castelos, o escudo e as quinas…
Guardas na memória uma grande história.
Foste um exemplo mundial com o teu império colonial.
As vitórias, as conquistas, os homens de guerra, os fascistas…
Contra os canhões marchamos,
e agora nem disso nos lembramos!
Será este um país de emoções ou uma terra de frustrações?
Que emanou dos grandes navegadores, ídolos dos descobrimentos
e agora deambula sem norte na rota dos lamentos.
O mar inspira-te a poesia,
mar em que se viveu tormentos,
e que entre a vida e a morte vigia aquilo se passou
e o que o mar não levou.
Como tudo um dia já foi e nada será eterno
Porque o que é imortal nunca acaba…
O mosteiro dos Jerónimos, de Alcobaça, da Batalha
A torre de Belém, dos Clérigos
E esse sem fim de castelos…
Nossa senhora de Fátima, não nos deixe assim…
E esta pátria que é nossa,
guarda-A e defende-A como coisa própria Vossa.
Morreu o Verão com a pressa do Inverno,
mas todos esperamos a Primavera que o Outono veio encobrir,
porque o sol aparece sempre depois da noite sumir…
Ah! Se os homens fossem como o Alegre que sonha o que escreve!
Os ideais estariam acabados
e os sonhos seriam materializados.
Vamos a metade do caminho entre a esperança e a temperança,
entre o sono e o acordar,
de um povo que pescava,
das origens do ser perdidas no infinito da terra lavrada!
Já esqueceram o 25 de Abril?
Quando os homens obraram em união,
sinal da força divina escondida em cada coração,
que em vez de vidas ceifadas vimos cravos nas espingardas.
E do que o 10 Junho significa?
Porque há sempre um português em cada canto do mundo,
uma gente que grita de lá, o eco de fundo…
E apesar do exílio deliberado,
têm a nação repartida e a alma dividida.
E há sempre um imigrante que regressa a Portugal,
e há sempre uma praça e um passeio aos Domingos
e depois da missa, os sinos.
Há sempre as gaivotas,
os protestos e as revoltas…
Haverá sempre o fado e a poesia
e o cheiro a maresia.
A uva o rio e o vinho,
que fazemos com carinho,
para convencer que afinal,
aqui no nosso Portugal,
tudo se faz devagarinho.
O eléctrico que sobe e desce,
indício que nem tudo é o que parece!
Os campos verdes com vento
e a esperança de um novo alento.
É hora de despertar, de deixar nas memórias as vidas
e a existência passada e querer somente recomeçar...
Porque um dia cada um de nós vai adormecer e a vida será legada a alguém que continuará o sonho, para que um dia conceba e honre
o que sonhamos acordados…
Deixo agora com ironia,
uma folha branca vazia,
para escreveres sobre a pátria que muito conquistou um dia…