Se o que está em causa é a vida, nomeadamente, direito á vida com qualidade de vida e vida e vida e vida…
E passam imagens de aborto de fetos VS bebés felizes nessas utópicas campanhas a favor do NÃO!!!
Então eu pergunto-me: - Onde estão as imagens das criancinhas que não foram “abortadas” e por sua vez abandonadas ou entregues a essas belas instituições apoiadas pelos votantes do NÃO que nada fazem para melhorar as condições dessas mesmas criancinhas mas sobretudo das mães para quem não deve ser nada fácil tomar tal decisão…
Sim…porque se alguém que quer abortar pede ajuda a alguma dessas instituições, não só é censurado e julgado, como também sai de lá igual ou pior do que chegou. Sim…porque essas instituições NÃO têm capacidade de resposta…
Mas afinal será que Portugal e os portugueses já perceberam o que estamos a discutir aqui? Parece-me que não!
O que estamos aqui a discutir não é de todo o facto de sermos ou não a favor do aborto (gratuito). É sim, não julgar as mulheres que o fazem, independentemente das razões que a levaram a tomar essa difícil decisão.
O que estamos aqui a discutir não é se gostamos de bebés e crianças uns mais do que outros, mas sim, o direito de esse mesmo bebé ou criança de ser desejada.
O que estamos aqui a discutir não é se dá jeito ou é altura própria de ter um filho, é pelo contrário se existem condições sociais psicológicas, familiares e financeiras de proporcionar as necessidades básicas a um filho.
O que está aqui em discussão não é acabar ou incentivar o aborto. O que está aqui em discussão é acabar com o aborto clandestino e a acabar com a penalização da mulher.
A pergunta é esta: «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?».
Simples, não acham? Simples é também todos exercermos o nosso poder/dever de voto no próximo dia 11 de Fevereiro.
O que eu acho é que a moral está a decidir pela razão. Ninguém no seu perfeito juízo faz abortos com leviandade (este acto é muito marcante e inesquecível).
Mas porque não há meios contraceptivos 100% seguros e para que todas as crianças do nosso país possam ter o amor, o carinho, a atenção e se sintam desejados, porque acredito serem factores essenciais para a formação de personalidade, para crescerem adultos saudáveis, positivos e felizes EU VOTO SIM!
Preferia nunca ter lido ou ouvido as atrocidades que já li e ouvi, pois há uma realidade ainda mais chocante que o aborto em si. É a mentalidade de uma grande parte dos portugueses.
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
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4 comentários:
O ABORTO NÃO SE DISCUTE!!
Elisa, Ferreira, Eurodeputada
" É verdade realizar um aborto é um assunto que não se discute! Muito menos em público! Porque se trata de uma opção tão íntima, tão dolorosa e tão violenta para a mulher que a toma que só pode ser partilhada com quem a compreenda, de forma igualmente íntima, na complexidade e na diversidade das razões que a motivam. Não obstante confidentes deste tipo serem raros, tornando a solidão e a angústia as companhias mais comuns dessas horas e vulnerabilizando as mulheres perante cúmplices e oportunistas.
Sendo aquelas motivações íntimas e pessoais, é aí, nesse processo de decisão, que a mulher faz intervir as suas convicções éticas, religiosas e o sistema de valores por que se pauta, avaliando a sua capacidade e força não só para levar avante uma gravidez sobre a qual tem dúvidas mas, acima de tudo, para colocar no mundo um ser humano a quem vai ficar ligada e pelo qual vai responsável para o resto da vida.
Ter um filho é um acto de amor, mas também um acto de coragem. Haverá mulheres que estão secas e amargas, que ficaram cínicas e gastas, que viram abalados os seus valores e a auto-estima, por isso pretendendo interromper a gravidez. Pergunto pretende a sociedade forçar estas mulheres a serem mães de crianças que nunca amaram nem serão capazes de amar? Será que os direitos dessas crianças a serem desejadas e queridas não se sobrepõem aos presumíveis direitos de um feto que o terá sido por dias?
Haverá mulheres que, perante a constatação da hipótese de serem mães, avaliam seriamente o seu quadro afectivo e familiar, concluindo que ele não é suficientemente estável e seguro para acolher uma criança. Pergunto não temos já demasiados casos abjectos de maus-tratos infantis, de abusos sexuais de menores e de abandonos, isto é, demasiadas evidências da incapacidade, como sociedade, para detectarmos a tempo esse tipo de situações e evitarmos eficazmente o pior?
Lamento poder chocar ao dizer que, em muitos desses casos, a opção dessas mulheres por interromperem uma gravidez corresponde ao acto de amor mais lúcido e corajoso das suas vidas.
Situações destas subjazem, sobretudo, nas mulheres que recorrem aos métodos brutais do aborto clandestino, feito em condições deploráveis e com sério risco para a sua vida física e mental. E, por muito que custe a alguns, o medo da Justiça nunca demoveu nenhuma mulher determinada a interromper uma gravidez. É que as razões que determinam estas opções são do foro da vida ou da morte, estando no horizonte o risco da própria vida, face ao qual juízes, tribunais e penas acabam por ser assuntos de somenos. Mas note-se que não deixou, por isso, de ser brutalmente humilhante para todas nós, mulheres, assistir ao vexame que consistiu na exibição de provas, de depoimentos e de outros materiais do foro íntimo de cada mulher numa sala de tribunal durante os últimos julgamentos ocorridos em Portugal e independentemente dos veredictos finais produzidos.
A verdadeira consequência da criminalização em vigor é a de aumentar o preço dos que fornecem os serviços clandestinos e, consequentemente, o risco para aquelas que o não podem pagar; e ainda, como aconteceu nos casos que foram a tribunal, o prémio da chantagem associada à denúncia.
Tenho, naturalmente, consciência de que este dramatismo não afecta todas as interrupções de gravidez que quotidianamente ocorrem. De facto, hoje como sempre, razões aparentemente menos profundas determinam opções do mesmo tipo. É, em particular, nos meios mais conservadores que uma interrupção resolve os problemas de uma gravidez antes do fim da licenciatura, de um envolvimento com um parceiro menos bem aceite ou extramatrimonial e da eventual destruição de uma carreira profissional ou de um casamento que se ambicionava; os "tratamentos voluntários da gravidez" nas clínicas que todos conhecemos - sejam as estabelecidas desde há décadas, pelo menos em Lisboa e no Porto, ou através de um "salto" ao outro lado da fronteira em resposta aos anúncios a amarelo que diariamente os jornais publicam - resolvem o assunto. Pode acontecer que este tipo de mulheres sinta menos a necessidade da mudança da lei, mas apetece-me perguntar se todos os que tão pressurosamente defendem o "direito à vida" acolhem e apoiam, como heroínas, as mulheres que, abalando as convenções do meio em que se inserem, optam por levar, nessas circunstâncias, a gravidez até ao fim.
Por tudo isto, e estando em causa a abertura de um espaço de reflexão consciente e livre numa fase muito embrionária da formação do feto, quero acreditar que, no momento de votar no próximo dia 11, as mulheres - como também os homens que não apenas determinam a gravidez como são sempre, por presença ou ausência, uma componente fundamental da sua interrupção - se consigam despir da hipocrisia que mina a sociedade e lhe restituam uma parte da sua dignidade, votando SIM!"
Elisa Ferreira escreve no JN, semanalmente, aos domingos
Quando a ideia é simples.
Quando a mensagem é transparente.
Quando a simplicidade da palavras vence.
Quando o sentimento passa para fora.
Quando a verdade é real.
Então tudo o se lê, compreende. E tudo faz sentido.
Palabéns pela clareza. Parabéns pelo testemunho.
Obrigado pela clarividência.
Parabéns.Escreves com alma e esclareces-me a alma. Sempre tive um bom feeling a teu respeito. Continua com insónias, pois as tuas são positivas. Eu estou bem quando estou contigo. Vai em frente que vais longe.
Definição de "saúde": "estado de bem estar físico, psíquico e social".
Quem quer abortar é por falta de, no mínimo, um dos dois últimos.
A criança que sai da mulher que quer abortar e não pode (porque a sociedade, ou deveria dizer "sujidade"?, não lhe deixa) não vai ter pelo menos um deles, logo de início.
Portanto, o "não" significa não só manter doente a uma pessoa, mas também fazer que outra tambem o esteja.
"NÃO" significa NÃO DAR SAÚDE A 2 PESSOAS, NÃO RESPEITAR, NÃO AJUDAR, NÃO COMPREENDER, NÃO PREVENIR, NÃO AVANÇAR, NÃO ABRIR A MENTE...
O "não" é, portanto, tudo aquilo que a Igreja "não" deseja. Eles querem respeito, solidariedade, compreensão,tolerância..., aquilo que o "não" impede. A Igreja estar-se-ia a contradizer.
O seu sim não significa que concorde com o aborto. Significa que RESPEITA E COMPREENDE a quem concorda.
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